Mais Informações Clique

Cadastre-se e receba nossos boletins semanais sobre nosso trabalho.





NA MÍDIA

//2009-10-04
Teatro defende o linguajar cuiabano

Jornal Diário de Cuiabá


Personagens como Nico e Lau e Comadre Pitú incentivam o respeito a fala e os costumes da antiga cuiabania

O linguajar e os costumes cuiabanos estão cada vez mais ocupando o espaço das artes cênicas como forma de buscar a divulgação e respeito de quem vive há mais tempo neste imenso mosaico cultural que Mato Grosso vem se constituindo.

Muitos “novos” mato-grossenses vindos, sobretudo do Sul e Sudeste do país nos últimos 25 anos, achavam que o sotaque e os modos cotidianos do povo “tchapa e cruz” eram errados. Hoje, o humor tem ajudado a quebrar bairrismos.

Com mais de 30 personagens caricaturados, o ator Liu Arruda foi um marco do gênero por quase duas décadas. Fazia rir e assustava o universo político com sua língua afiada. Entre os colegas desta fase que reforçaram o traço cuiabano, estavam Chico Amorim, Ivan Belém e Luiz Carlos Ribeiro e Vital Siqueira. O último citado resolveu levar ao palco sua saudade do amigo que acompanhou por 14 anos. Vital foi o criador da maquiagem que transformava Liu em Comadre Nhara. Em “Saudades da Comadre” (direção, cenário e figurino de Zé de Paula, produção de Cibele Bussiki e Guta Miranda), sua expressão veio pelo personagem Comadre Pitú, a mesma que tem feito dobradinha com Comadre Odilza (Zilma Nunes)em shows empresariais. Mais jovem, seu personagem Linda Marrara (filha da comadre) tem invadido bares e casas noturnas da Capital. “Sigo a escola de ‘causos’ engraçados, pinçados do cotidiano cuiabano, resgatando uma cultura rica, marcada pela beleza ingênua da linguagem”, define Vital, que além de ator é educador físico, coreógrafo, cenógrafo, figurinista e carnavalesco.

“O linguajar não é um suporte para o riso no sentido pejorativo, ao contrário, é usado com naturalidade. Nos bairros de maioria cuiabana, como Porto, Praierinho, Campo Velho, Baú, Dom Aquino e Araés ainda tem muita gente que não perdeu a identidade de dizer chilado (bebado), vôoote, agora quá e outros termos”, diz Siqueira.

Para o professor de Língua Portuguesa, Justino Astrevo, o crescente público nos espetáculos de personagens regionais da Baixada Cuiabana. No campo das artes e da economia, ele comprova isso, pois com seu personagem Lau em parceria com Nico (Leoniê Victório), leva centenas de pessoas todos os meses para prestigiar suas temporadas teatrais. A dupla Nico e Lau produziu programas de TV e rádio, história em quadrinhos, CD e até virou grife de roupa infantil.

Justino nasceu em Cuiabá, mas encontrou outros sotaques em sua trajetória de estudos em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, escolhendo a cuiabania como instrumento de sua arte. “Não é deboche. Há responsabilidade de quem usa a língua até como meio de interferência social”, defende.

Da Reportagem
Jornal Diário de Cuiabá

Contato: (65) 3627-1244 / (65) 9975.5513 / E-mail: nicoelau@nicoelau.com.br
Copyright @ 2009-2017  nicoelau.com.br - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por: